Vou fazer uma coisa estranha: vou publicar, sem cortes, uma carta que escrevi em 27/06/04. A destinatária desta carta é uma amiga com quem perdi o contato. Achei a carta em meio às minhas partituras no domingo. Algumas das pessoas citadas nesta carta eu já achei no orkut, inclusive a menina para quem isso nunca chegou. Muito estranho quando a gente percebe que as pessoas não ficaram paradas naquele ponto em que as vimos pela última vez. Vou ter prova disso, de semiótica, real e realidade amanhã, e viver isso prova que todos aqueles escritores não falaram besteira quando estavam chapados. É, eu sei que hj estou meio estranha, mas deve ser a esperança em que me agarro pela proximidade das férias e o terror de saber que perderei o contato com outras pessoas que se tornaram importantes nos últimos 11 meses.
Talvez você nem se lembre de quem eu sou, mas peço que leia até o final.
Há uns meses eu estava no Shopping Metro Santa Cruz almoçando e lá tem muito japonês. Eu vi uma menina igualzinha a você... foi aí que eu percebi quanto tempo passou e que você já não deve ser daquele jeito, afinal não temos mais 13 anos.
Dia desses eu liguei pra sua casa, mas ninguém atendeu e novamente eu deixei o tempo passar... e como passou! Eu mal acredito quando olho no espelho e vejo que tenho 20 anos. Eu ainda lembro de você co uniforme azul, jogando HANDBALL, ouvindo Giz e Teatro dos Vampiros no walkman... ainda lembro disso quando ouço.
Você dizia que quando morrêssemos viraríamos anjos!!! Fico pensando se você dá aulas de inglês ou Educação Física, se virou mesmo bruxa... (você escreveu isso numa das últimas cartas).
Aconteceu muita coisa aqui em casa, e “aqui em casa” já foi em muito lugar... sinto muito por termos perdido o contato pois eu realmente gosto de você.
As coisas mudaram muito, minha relação com o mundo e com Deus mudou muito. Eu já escrevi várias vezes pra você mas nunca consegui mandar. Até pouco tempo eu ainda tinha um pingente de “Nossa Senhora” que você me deu, mesmo eu não sendo Católica faz tempo.
Tem uma carta sua aqui de maio/98. você fala de coisas como as férias na praia(não uso lentes na água até hoje porque lembro que naquele verão você perdeu as suas), fala do Bob, do Fagner (não é impressionante como todo mundo gostava dele???).
Eu já morei em muitos lugares, estudei e trabalhei em tantos outros, fui a muitas igrejas e conheci muita gente... já fiz muitos amigos! Mas sabe, aqueles dois anos que passamos juntos (Érika, Ricardo, Alexandre, Douglas, Pardal, Gustavo, Bruna B., Fagner, você e eu), mesmo não sendo muito claros na minha mente, me trazem ainda saudade. Eu gostaria de falar co cada um, saber o que fizeram de suas vidas... aposto que ta todo mundo acabando a faculdade e que a maioria não foi para onde achou que iria... sei lá, eu não fui.
Na verdade eu ficaria muito feliz se soubesse pelo menos o que aconteceu com você e, por isso, peço que me escreva, mesmo que seja para xingar por eu ter sumido ou dizer que não se lembra, mas, por favor, me escreve.
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